IVINHEMA: MPMS pede investigação contra prefeito por possível enriquecimento ilícito e Juliano Ferro reage nas redes

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Prefeito Juliano Ferro - Foto: Divulgação

O MPMS (Ministério Público do Estado de Mato Grosso do Sul) encaminhou ao PGJ (procurador-geral de Justiça), Romão Júnior, pedido para a abertura de inquérito civil contra o prefeito de Ivinhema, Juliano Ferro (PL), por possível prática de improbidade administrativa com indícios de enriquecimento ilícito, em razão do recebimento de salário considerado ilegal pela Justiça.

A medida tem como base o descumprimento de uma decisão judicial que, em 11 de março de 2025, suspendeu o aumento do subsídio do prefeito, que passou de R$ 19.904 para R$ 35 mil por meio de lei municipal. A norma foi derrubada por decisão da 1ª Vara de Ivinhema, após ação popular ajuizada pelo advogado Douglas Prado.

Apesar de a Promotoria de Justiça da comarca ter rejeitado a tese de que o prefeito esteja atualmente descumprindo a decisão judicial, o Ministério Público apontou que, após a suspensão do aumento, o pagamento do valor de R$ 35 mil teria continuado a ser efetuado entre os meses de abril e agosto de 2025, tanto ao prefeito quanto a outros servidores com o mesmo subsídio.

Em manifestação assinada pela promotora Lenize Martins Lunardi Pedreira, o MPMS destacou que há “fortes indícios de atos dolosos de improbidade administrativa que importaram enriquecimento ilícito e causaram prejuízo ao erário”, razão pela qual será instaurado inquérito civil para apuração dos fatos e eventual responsabilização dos envolvidos, além de possível ressarcimento aos cofres públicos.

Por outro lado, a promotoria afastou a alegação de que o prefeito continue recebendo valores acima do permitido atualmente. Para isso, foram anexadas planilhas do Portal da Transparência, demonstrando que, desde setembro de 2025, os pagamentos voltaram aos valores fixados antes do reajuste.

Entenda o caso

A decisão judicial que suspendeu o aumento salarial também atingiu o vice-prefeito, secretários municipais, procurador e chefe de gabinete. O magistrado Rodrigo Barbosa Sanches entendeu que a lei foi sancionada a menos de seis meses do fim do mandato, o que viola a Lei de Responsabilidade Fiscal.

Na liminar, o juiz afirmou que os novos subsídios vinham sendo pagos “em evidente prejuízo ao erário”, justificando a concessão da tutela de urgência.

À época, Juliano Ferro usou as redes sociais para criticar a decisão, afirmando considerar injusto receber o menor salário entre prefeitos da região e defendendo que o valor equiparado ao do governador seria compatível com a arrecadação e crescimento do município.

Mesmo após a suspensão, houve tentativa de novo reajuste em 2026, que acabou não avançando na Câmara Municipal. Posteriormente, o prefeito desistiu da proposta, chegando a divulgar um vídeo em que rasgava o projeto de lei, como informou o Midiamax.

Prefeito rebate e diz que não há investigação por enriquecimento ilícito

Na manhã deste sábado (07), o prefeito Juliano Ferro publicou um vídeo nas redes sociais, gravado em Goiás, ao lado de um Porsche vermelho, no qual nega estar sendo investigado por enriquecimento ilícito e acusa a imprensa de divulgar informações falsas.

Segundo ele, “não existe nenhuma investigação voltada a enriquecimento ilícito” e o caso estaria sendo distorcido. Juliano afirmou confiar na Justiça de Mato Grosso do Sul e disse que tudo será esclarecido.

No vídeo, o prefeito também declarou que continua exercendo suas atividades profissionais paralelamente ao cargo público e negou qualquer irregularidade em seu patrimônio, afirmando que “trabalha honestamente” e que críticas fazem parte de perseguição política.

O caso agora aguarda os próximos passos do Ministério Público com a instauração formal do inquérito civil, que deverá apurar se houve ou não irregularidade nos pagamentos realizados após a decisão judicial.