Governo pede fiscalização contra abusos no preço do gás de cozinha após leilão

Após leilão com alta e pressão internacional, botijão pode subir até R$ 8 no Estado

ÂNGELA KEMPFER / CAMPO GRANDE NEWS


Gás de cozinha, de 13 kg, sendo manuseado por funcionário em revendedora de Campo Grande (Foto: Henrique Kawaminami/Arquivo)

O Ministério de Minas e Energia solicitou que a Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon) intensifique a fiscalização sobre possíveis práticas abusivas na venda de gás de cozinha (GLP). A medida foi adotada após o leilão realizado pela Petrobras no último dia 31, que registrou ágio acima de 100% e pressionou os preços no mercado interno, especialmente em regiões com maior demanda.

Segundo o ministro Alexandre Silveira ao Jornal Valor Econômico, o cenário internacional, marcado por tensões no Oriente Médio, já pressiona o valor do petróleo, mas não pode servir de justificativa para aumentos considerados abusivos. O governo afirma que reforçou o monitoramento da cadeia de abastecimento e lembra que medida provisória editada em março passou a enquadrar como infração administrativa tanto a cobrança de preços abusivos quanto a recusa no fornecimento de produtos.

A alta no preço do gás também acende alerta sobre o programa Gás do Povo, que subsidia o acesso ao produto para cerca de 15 milhões de famílias de baixa renda. De acordo com o ministério, redes credenciadas já sinalizaram que podem deixar o programa caso os valores pagos pelo governo não acompanhem os preços praticados no leilão.

Em Mato Grosso do Sul, o  botijão de 13 quilos (P13), o mais utilizado nas residências, pode subir entre R$ 5 e R$ 8 por unidade, segundo o Sinergás (Sindicato das Empresas Revendedoras de Gás da Região Centro-Oeste). A entidade atribui o reajuste à combinação de fatores internos e externos, como a alta do diesel, que encarece o transporte, e a pressão internacional sobre os preços do petróleo e do gás natural.

O presidente do sindicato, Zenildo Dias do Vale, afirma que o cenário se agravou nos últimos meses, elevando os custos logísticos e refletindo diretamente no bolso do consumidor. O impacto é maior entre famílias de baixa renda e pequenos comerciantes, que dependem do gás no dia a dia.