Dólar cai e fecha a R$ 4,97 em meio a incertezas sobre acordo entre EUA e Irã; Ibovespa avança

A moeda americana recuou 0,17%, a R$ 4,9746 — menor valor desde março de 2024. O principal índice da bolsa de valores subiu 0,20%, aos 196.132 pontos.

G1 / REDAçãO G1


© Valter Campanato/Agência Brasil

O dólar fechou em queda de 0,17% nesta segunda-feira (20), cotado a R$ 4,9746 — menor valor em mais de dois anos. Já o Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, subiu 0,20%, aos 196.132 pontos.

O movimento ocorre em meio a sinais contraditórios sobre os rumos da guerra no Oriente Médio. De um lado, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que um acordo com o Irã deve acontecer “relativamente rápido'. De outro, o país disse ver dificuldades nas negociações diplomáticas.

▶️ A dois dias do fim do frágil cessar-fogo, o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi, afirmou que “contínuas violações', além de “comportamentos ilegais e posições contraditórias' dos EUA, representam um “grande obstáculo' à continuidade do processo diplomático.

▶️ No domingo, os EUA interceptaram e atacaram um navio cargueiro iraniano. Segundo Donald Trump, a embarcação tentou furar um bloqueio naval americano no Golfo de Omã.

▶️ Em meio à escalada das tensões, Teerã prometeu retaliar e colocou em dúvida a participação na nova rodada de negociações de paz, prevista para começar nesta segunda-feira. Poucas horas depois, o Paquistão disse à Reuters que recebeu sinal positivo do Irã sobre participação nas tratativas.

▶️ Trump negou estar sob pressão para fechar um acordo com o Irã, mas indicou avanço nas negociações. “Não estou sob pressão alguma, embora tudo vá acontecer relativamente rápido', escreveu em rede social.

▶️ Segundo fontes do canal Al Jazeera, o vice-presidente dos EUA, JD Vance, deve desembarcar no Paquistão nesta terça-feira (21) para participar de negociações relacionadas ao conflito.

Diante de sinais contraditórios sobre a guerra — especialmente em relação aos bloqueios no Estreito de Ormuz, principal rota global do petróleo —, o preço do tipo Brent, referência internacional, avançava 5,32% por volta das 16h, cotado a US$ 95,19 o barril.

▶️ No Brasil, agentes do mercado financeiro elevaram as projeções de inflação e de juros para 2026, em meio à intensificação da guerra no Oriente Médio.

Veja abaixo mais detalhes do dia no mercado.

💲Dólar

Acumulado da semana: -0,17%;

Acumulado do mês: -3,94%;

Acumulado do ano: -9,37%.

📈Ibovespa

Acumulado da semana: +0,20%;

Acumulado do mês: +4,63%

;Acumulado do ano: +21,73%.

De olho nas negociações

O presidente Donald Trump afirmou nesta segunda-feira que não está sob pressão para fechar um acordo com o Irã, mas indicou que as negociações devem avançar em breve.

"Li na imprensa fake news que estou sob “pressão' para fazer um acordo. ISSO NÃO É VERDADE! Não estou sob pressão alguma, embora tudo vá acontecer relativamente rápido", afirmou em uma publicação na rede social Truth Social.

Segundo ele, “o tempo não é meu adversário' e é preciso corrigir “a bagunça' deixada por governos anteriores na condução das relações com o Irã.

O republicano também afirmou que o acordo que pretende firmar será “muito melhor' do que o JCPOA, conhecido como acordo nuclear iraniano, fechado durante os governos de Barack Obama e Joe Biden.

Do lado do Irã, o Paquistão afirmou estar confiante de que conseguirá fazer com que o país participe de negociações com os EUA, disse à Reuters nesta segunda-feira (20) uma autoridade sênior do governo paquistanês.

“Recebemos um sinal positivo do Irã. A situação é dinâmica, mas estamos trabalhando para que eles estejam aqui quando iniciarmos as conversas amanhã ou no dia seguinte', afirmou a fonte, sob condição de anonimato.

Impactos na inflação

Com a intensificação da guerra no Oriente Médio, analistas do mercado financeiro elevaram novamente a projeção para a inflação em 2026 e passaram a prever juros mais altos.

De acordo com a pesquisa do BC, o mercado passou a projetar que a inflação oficial, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), em 4,80% neste ano, contra a projeção anterior de 4,71%.

As expectativas fazem parte do Boletim Focus, divulgado nesta segunda-feira (20) pelo Banco Central (BC), com base em pesquisa realizada na última semana com mais de 100 instituições financeiras.

Desde o início de 2025, com a adoção do sistema de meta contínua, o objetivo é manter a inflação em 3%, sendo considerada dentro da meta se variar entre 1,50% e 4,50%.Em 4,80% para este ano, a projeção do mercado financeiro supera o teto do sistema de metas — que é de 4,5%. O boletim anterior foi o primeiro, desde maio do ano passado, que o mercado estimou o estouro da meta de inflação em 2026.

Se confirmada a projeção, o IPCA ficará abaixo do registrado no último ano — quando somou 4,26%.

➡️ Para 2027, a expectativa subiu de 3,91% para 3,99%;

➡️ Para 2028, a previsão permaneceu em 3,60%.

➡️ Para 2029, a estimativa continuou em 3,50%.

Corte dos juros

Mesmo com aumento da projeção de inflação neste ano e nos próximos, o mercado financeiro continuou projetando queda dos juros. Contudo, comparativamente à semana passada, a queda projetada foi menor.

Atualmente, a taxa está em 14,75% ao ano — após o primeiro corte em quase dois anos (autorizado na semana passada pelo BC).

Para o fim de 2026, a estimativa do mercado para a taxa Selic passou de 12,50% para 13% ao ano na última semana.Para o fechamento de 2027, a projeção do mercado passou para 11% ao ano.Para o fim de 2028, a estimativa dos analistas continuou em 10% ao ano.

Mercados globais

Os mercados globais tiveram desempenho misto nesta segunda-feira. Nos EUA, os principais índices de Wall Street fecharam em queda.

O Dow Jones recuou 0,01%, aos 49.442,69 pontos, enquanto o S&P 500 caiu 0,22%, aos 7.110,22 pontos, e o Nasdaq teve perda de 0,26%, aos 24.404,39 pontos.

Na Europa, as bolsas também fecharam no vermelho. O índice pan-europeu STOXX 600 terminou o dia com queda de 0,8%.

Entre os principais mercados da região, as perdas foram mais fortes na França e na Alemanha, onde os índices CAC e DAX recuaram cerca de 1,1%. Em Londres, o FTSE registrou baixa de 0,55%.

Na Ásia o cenário foi diferente, com a maioria dos mercados encerrando o pregão em alta. Em Hong Kong, o índice Hang Seng subiu 0,77%, enquanto em Xangai o SSEC avançou 0,76%.

O Nikkei, em Tóquio, ganhou 0,6%, e o Kospi, da Coreia do Sul, teve alta de 0,44%.