Saúde
SUS terá medicamento de uso diário para prevenir sangramentos por hemofilia B
Tratamento será destinado a pacientes a partir de 12 anos com forma moderada ou grave da doença
KAMILA ALCâNTARA / CAMPO GRANDE NEWS

O SUS (Sistema Único de Saúde) vai passar a oferecer o concizumabe, medicamento aplicado por meio de uma caneta injetável para prevenir sangramentos em adolescentes e adultos com hemofilia B moderada ou grave.
A hemofilia B é uma doença genética rara em que o sangue tem dificuldade para coagular porque o organismo produz pouca quantidade, ou nenhuma, do fator IX, uma proteína responsável por ajudar a estancar sangramentos.
Com isso, a pessoa pode sangrar por mais tempo após cortes, cirurgias ou acidentes. Nos casos moderados e graves, também podem ocorrer sangramentos espontâneos, principalmente nas articulações e nos músculos.
A incorporação do medicamento foi oficializada pelo Ministério da Saúde em portaria publicada no Diário Oficial da União desta terça-feira (28). O governo federal terá até 180 dias para organizar e iniciar a oferta na rede pública.
O tratamento será destinado a pacientes com 12 anos ou mais que tenham hemofilia B moderada, ou grave e apresentem os chamados inibidores.
Os inibidores são anticorpos produzidos pelo próprio organismo que atacam o fator de coagulação usado no tratamento convencional. Com isso, a medicação pode perder parte ou todo o efeito, tornando mais difícil o controle dos sangramentos.
Comercializado com o nome Alhemo, o concizumabe é aplicado uma vez por dia sob a pele, sem necessidade de acesso à veia. O medicamento vem em uma caneta preenchida e pode ser administrado em casa, depois que o paciente ou responsável recebe orientação da equipe de saúde.
Principal vantagem é facilitar o tratamento de pessoas que enfrentam dificuldades com as infusões intravenosas usadas em outras terapias.
A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) aprovou para pessoas com hemofilia A ou B a partir dos 12 anos. No SUS, porém, a decisão publicada é mais restrita e vale apenas para pacientes com hemofilia B moderada ou grave e que apresentem inibidores.
Não cura a doença - O concizumabe não cura a hemofilia B. A função do medicamento é reduzir a frequência dos sangramentos e evitar complicações, como lesões nas articulações, dores crônicas e necessidade de internação.
Antes de recomendar a incorporação, a Conitec (Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde) analisou estudos sobre a eficácia, a segurança e o custo do tratamento.
Um dos estudos avaliados apontou redução significativa no número de episódios de sangramento entre os pacientes que usaram o medicamento de forma preventiva.
Essa publicação da portaria não significa que o produto já esteja disponível nos postos de saúde ou centros especializados. O Ministério da Saúde e as áreas responsáveis terão até seis meses para definir os critérios de acesso, atualizar os protocolos, comprar o medicamento e organizar a distribuição.






