Dupla é condenada pelo assassinato de padre em Dourados

DOURADOSNEWS / FABIANE DORTA


Corpo de padre foi encontrado em matagal na região do Distrito Industrial de Dourados - Crédito: Osvaldo Duarte/Dourados News/Arquivo

Dois jovens de 19 anos foram condenados pela morte do padre Alexsandro da Silva Lima, em Dourados. João Victor Martins Vieira e Leanderson de Oliveira Júnior foram presos e encaminhados à PED (Penitenciária Estadual de Dourados) logo após o crime, que aconteceu em novembro do ano passado.

A sentença proferida pelo juiz Marcelo da Silva Cassavara da 2ª Vara Criminal na sexta-feira, dia 24, estabelece para João Victor a pena de quatro anos, seis meses e quarenta dias de prisão, pelos crimes de furto qualificado pelo concurso de pessoas; fraude processual e ocultação de cadáver. O cumprimento deve ser em regime inicial aberto ficando, portanto, revogada a prisão cautelar e expedido o alvará de soltura.

Já para Leanderson a pena foi mais dura. Ele foi condenado a 22 anos, seis meses e 40 dias de prisão em regime inicial fechado, permanecendo no presídio. Ao réu foram atribuídos os crimes de latrocínio, que é roubo seguido de morte; fraude processual, ocultação de cadáver e corrupção de menores.

O CASO

O crime aconteceu no dia 14 de novembro de 2025. Por volta das 17h, Leanderson teria subtraído de uma moradia oficial da Igreja Católica no bairro Vival dos Ipês, um veículo marca Jeep, modelo Renegade, de propriedade da Mitra Diocesana de Dourados, que estava sob os cuidados do padre.

Segundo relatório presente na sentença, para levar o veículo ele teria atingido Alexsandro com golpes de marreta na cabeça, e com o auxílio de um adolescente teria sufocado a vítima com uma toalha, assim como desferido golpes de faca no pescoço que teriam provocado a morte. 

Depois disso, Leanderson teria saído do local dirigindo o Renegade, deixado o adolescente em uma conveniência e depois buscado João Victor e duas adolescentes. Após relatar o crime, teria voltado à casa do padre onde o amigo teria visto o corpo e depois transitado pela madrugada pela cidade com o carro da vítima.

No dia seguinte, por volta das 5h, Leanderson teria voltado à residência acompanhado de João Victor e das adolescentes, oportunidade em que os quatro teriam limpado o sangue do local na tentativa de ocultar vestígios do crime.

João Victor e as adolescentes ainda teriam levado bens da residência, como bomba e cuia de chimarrão, chaleira, duas formas, garrafa térmica, ventilador, cinco panelas de pressão e cerâmica, 15 pratos, escorredor de louças e uma petisqueira.

Os itens avaliados em R$ 1,5 mil foram encontrados posteriormente na casa de João Vitor e de uma das adolescentes no Jardim Rasslem.

Após pegar os bens, os quatro envolvidos teriam enrolado o corpo de Alexsandro em um tapete e colocado no porta-malas do Renegade.

Saindo do local, os maiores teriam deixado as adolescentes às margens de uma rodovia e seguido para ocultar o corpo em um matagal na Rua José Feliciano de Paiva, próximo à Rua Ana Paula dos Santos Viegas na região do Distrito Industrial.

Na sequência, a dupla teria ido até a residência de João Victor para limpar o carro e depois a mercado fazer compras. Os instrumentos utilizados na prática dos crimes foram encontrados no porta-malas do veículo.

CONFISSÕES

Em juízo, Leanderson teria alegado que prestava “programas sexuais” para a vítima, mas que desconhecia que atuava como padre, pois se apresentava como advogado.

No dia do latrocínio, conta que teria ido até a casa de Alexsandro com a intenção de subtrair dinheiro de sua conta bancária, mas quando chegou teriam se desentendido porque o acusado teria dito que não queria “prestar mais programas”.

Nesse contexto, disse que teria ameaçado o padre com a marreta, mas como a vítima teria reagido, ele teria desferido os golpes. Em seguida o adolescente teria chegado ao local e narrado que o padre iria viver, sendo necessário o uso da faca.

No entanto, essa circunstância não teria ficado provada na justiça, já que mensagens entre Leanderson e o adolescente, teriam sugerido que o réu teria planejado o crime antecipadamente.

Já João Victor alegou que Leanderson confidenciou o crime ‘travando as portas do carro’ e ‘andando em alta velocidade’, ficando bastante nervoso com a situação e indo até a casa da vítima.

Ainda teria relatado que estava bêbado, em estado de choque e teria agido por medo de Leanderson. No entanto, essa condição também não teria ficado evidenciada, especialmente devido à frieza que teria apresentado ao ser preso.

COMO FORAM PRESOS

O delegado do SIG (Setor de Investigações Gerais), Lucas Albe Veppo relatou em juízo que foi acionado após o desaparecimento do padre ser relatado à Polícia Civil por funcionários da paróquia de Douradina, onde Alexsandro atuava na época.

O celular do padre que também estava sumido, foi encontrado em um quintal baldio por um jovem que teria narrado que alguns adolescentes buscavam pelo aparelho alegando ter jogado no imóvel por engano.

No local indicado, os policiais viram passando um Renegade preto com o símbolo da paróquia e fizeram a abordagem. O carro era conduzido por Leanderson que estava junto com João Victor e as adolescentes.

Os dois teriam confessado os crimes ainda no momento do inquérito policial. Eles podem recorrer à decisão da justiça, proferida em primeira instância.