Operação aponta fraude de R$ 4 milhões na saúde de Nioaque

Segunda fase da ação cumpriu cinco mandados de prisão e 12 de busca; investigação aponta que 83% dos exames e consultas pagos pelo município teriam sido simulados

IVI NOTíCIAS/JORNAL DA NOVA


Investigação aponta prejuízo superior a R$ 4 milhões aos cofres públicos de Nioaque com supostas fraudes em serviços médicos - Foto: MPE-MS/Divulgação

O Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) deflagrou, nessa quinta-feira (13), a segunda fase da 'Operação Auditus', que investiga um esquema de fraudes em contratações de serviços médicos pela Prefeitura de Nioaque. A ação prevê o cumprimento de cinco mandados de prisão preventiva e 12 de busca e apreensão em Nioaque, Bonito, Jardim, Bela Vista e Guia Lopes da Laguna.

A operação é conduzida pelo Grupo Especial de Combate à Corrupção (Gecoc), pelo Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco) e pela 1ª Promotoria de Justiça da Comarca de Nioaque.

Segundo o MPMS, as investigações tiveram início a partir de suspeitas de fraudes em licitações destinadas à contratação de empresas para consultas, exames e outros procedimentos médicos.

Após a análise do material apreendido na primeira fase da operação, realizada em julho de 2025, e novas diligências, os investigadores identificaram indícios de um esquema estruturado para direcionar contratações, pagar por serviços médicos que não teriam sido realizados e desviar recursos públicos.

Conforme o Ministério Público, o esquema também envolveria o pagamento sistemático de vantagens indevidas a agentes públicos e a falsificação de documentos para comprovar atendimentos inexistentes.

Durante o período investigado, entre 2022 e 2025, os gastos de Nioaque com esses serviços médicos aumentaram 1.713%. O MPMS aponta ainda que 83% dos exames e consultas pagos pelo município teriam sido simulados pelo grupo investigado, formado por agentes públicos e privados.

A estimativa é de que o prejuízo aos cofres públicos de Nioaque ultrapasse R$ 4 milhões.

As investigações também indicam que o grupo teria buscado expandir o esquema para outros municípios de Mato Grosso do Sul, circunstância que, segundo o MPMS, demonstra a continuidade das supostas atividades criminosas.

Nome da operação

O termo “Auditus”, que significa “audição” em latim, faz referência a uma das primeiras modalidades de fraude identificadas na investigação. Conforme o MPMS, exames auditivos teriam sido simulados para justificar pagamentos e desviar recursos.

Posteriormente, o método teria sido ampliado para diferentes tipos de exames, consultas e outros serviços médicos.