Justiça anula destituição de Cezário e abre caminho para volta à FFMS

Ex-presidente é acusado de liderar suposto esquema que desviou R$ 6 milhões

IVI NOTíCIAS/MIDIAMAX


Depois de várias tentativas frustradas, Francisco Cezário de Oliveira obteve liminar na Justiça que abre caminho para o retorno à FFMS (Federação de Futebol de Mato Grosso do Sul). O ‘cartola’, que liderou a entidade por quase três décadas, foi destituído após ser pego em esquema de corrupção revelado em maio de 2024.

Para o juiz substituto Tito Gabriel Cosato Barreiro, da 2ª Vara Cível de Campo Grande, a convocação da assembleia geral extraordinária para 14 de outubro de 2024, que tirou Cezário formalmente do comando, observou o estatuto da FFMS de 2024, mas documentos que embasaram o pedido seguiam a normativa de 2022.

“Deve ser acolhido o pedido formulado pelo autor, posto não ter sido instaurado o processo administrativo e, principalmente, não ter sido assegurado o direito à ampla defesa e ao contraditório”, concluiu o magistrado.

Barreiro observou ainda que, apesar da liminar, Cezário segue afastado por força de decisão no âmbito criminal. Portanto, apenas o juiz do caso pode reverter a situação. Além disso, o ex-dirigente já foi suspenso pela CBF (Confederação Brasileira de Futebol).

Francisco Cezário tenta derrubar diretoria da Federação de Futebol de MS

O ex-presidente da FFMS (Federação de Futebol de Mato Grosso do Sul) Francisco Cezário de Oliveira é acusado de desvios de R$ 10 milhões do futebol sul-mato-grossense.

Cezário foi preso em maio de 2024, na primeira fase da operação. Ele ficou 15 dias na prisão e foi solto com tornozeleira depois de passar mal após a morte da irmã, no início de junho. Então, ele foi preso novamente, em agosto de 2024, ficando no presídio por mais duas semanas.

Segundo o Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado), o grupo liderado por Cezário realizava pequenos saques de até R$ 5 mil, para não chamar atenção dos órgãos de controle. De setembro de 2018 a fevereiro de 2023, foram identificados desvios que superaram os R$ 6 milhões.

Os valores eram distribuídos entre os integrantes da organização criminosa. O esquema se estendia também a outras empresas, que recebiam altas quantias da federação. Assim, uma parte dos valores era devolvida “por fora” ao grupo.

A organização criminosa tinha, ainda, um esquema de desvio de diárias dos hotéis pagos pelo Estado de MS em jogos do Campeonato Estadual de Futebol.

Após ser destituído do cargo, o ex-mandatário tentou derrubar a diretoria atual na Justiça. A FFMS acabou elegendo Estevão Petrallás como novo presidente, e, apesar dos pedidos do antecessor, ele segue no cargo.