Tema Livre – UFN-3 em MS: na terra do agronegócio, o maior investimento para o agro de MS vem do Lula

O JACARé/BY ESPECIAL PARA O JACARé


Tiago Botelho é advogado, professor da UFGD e doutor em Direito

Tiago Botelho – A visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva à UFN-3, em Três Lagoas, representa muito mais do que uma agenda presidencial. Ela simboliza a retomada de um dos maiores investimentos industriais já realizados em Mato Grosso do Sul e de um projeto estratégico para o futuro do agronegócio brasileiro.

A história da fábrica começou em 2011, durante o governo da presidenta Dilma Rousseff. A obra avançou cerca de 80%, recebeu bilhões de reais em investimentos e tinha como objetivo transformar o Brasil em um país menos dependente da importação de fertilizantes.

Em 2014, porém, a construção foi interrompida. Nos governos Michel Temer e Jair Bolsonaro, a fábrica permaneceu paralisada, sem que o projeto fosse concluído. Somente no governo Lula a Petrobras retomou a decisão de finalizar a obra e reinseri-la na estratégia nacional de desenvolvimento.

A conclusão da UFN-3 exigirá um novo investimento estimado em cerca de R$ 4 bilhões a R$ 5 bilhões, somando-se aos recursos já aplicados ao longo da última década. Quando entrar em operação, a unidade terá capacidade para produzir aproximadamente 3.600 toneladas de ureia e 2.200 toneladas de amônia por dia, tornando-se uma das maiores fábricas de fertilizantes da América Latina.

Os impactos para Mato Grosso do Sul serão profundos. Durante a fase de obras, milhares de empregos diretos e indiretos serão gerados, movimentando a construção civil, o comércio, os serviços e toda a cadeia produtiva de Três Lagoas e da região.

Depois de pronta, a fábrica manterá centenas de empregos permanentes de alta qualificação e fortalecerá a arrecadação, a renda e o desenvolvimento econômico do Estado. Empresas fornecedoras, transportadoras, hotéis, restaurantes e pequenos negócios também serão beneficiados pelo aumento da atividade econômica.

Mas talvez o maior impacto seja para o Brasil. Hoje, o país importa grande parte dos fertilizantes utilizados na agricultura, tornando o agronegócio vulnerável às crises internacionais e às oscilações de preços. Produzir fertilizantes em território nacional significa reduzir essa dependência, aumentar a segurança alimentar e fortalecer a competitividade da agricultura brasileira. A UFN-3 não é apenas uma fábrica; ela é uma peça estratégica para garantir mais autonomia ao país.

Há, por fim, uma reflexão que considero inevitável.

É curioso, e ao mesmo tempo muito positivo, que justamente em um estado onde parte do agronegócio costuma dirigir duras críticas ao presidente Lula, seja ele o responsável por destravar um dos investimentos mais importantes para o próprio setor. A UFN-3 beneficiará produtores rurais, trabalhadores, empresários e toda a economia sul-mato-grossense, independentemente de preferência política.

No fim das contas, os fatos falam mais alto que os discursos. E a retomada da UFN-3 mostra que investir na indústria, gerar empregos e fortalecer o agronegócio também é investir no futuro de Mato Grosso do Sul.