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MS entra em alerta contra o sarampo devido ao aumento do movimento antivacina no mundo
O JACARé/BY SANDRA LUZ, DE PORTUGAL

O avanço do sarampo no Brasil acendeu um alerta para Mato Grosso do Sul e para todo o País. Com 23 casos confirmados apenas no estado de São Paulo e um no Rio de Janeiro até a sexta-feira, dia 7, as autoridades de saúde recomendam a ampliação temporária da vacinação nos municípios com transmissão ativa, como São Paulo, Guarulhos e São Bernardo do Campo, para pessoas de 5 meses a 59 anos. O aumento acontece em um momento em que o sarampo também avança em outros países das Américas, com os Estados Unidos enfrentando seu maior surto da doença em 35 anos.
Em Mato Grosso do Sul, a situação exige atenção. Embora o Estado não tenha registrado casos confirmados em 2026 até o momento, o risco de introdução do vírus é elevado devido ao fluxo constante de viajantes e à proximidade com estados que já apresentam transmissão ativa. A queda da cobertura vacinal em todo o País, impulsionada em parte pelo crescimento do movimento antivacina e da desinformação, permitiu que o vírus voltasse a circular com força.
O CFM (Conselho Federal de Medicina) fez um alerta nas redes sociais da entidade incentivando a população a se vacinar. “Manter a vacinação em dia é a forma mais eficaz de prevenir a doença e evitar novos surtos”, diz a postagem. “O sarampo é uma doença altamente contagiosa e pode causar complicações graves, como pneumonia, encefalite, sequelas neurológicas e até óbito, especialmente em crianças menores de 5 anos, gestantes e pessoas imunossuprimidas”, alerta o CFM. A autarquia lembra que a vacina é segura, gratuita e está disponível nas Unidades Básicas de Saúde.
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Agências de saúde alertam que o sarampo continua a ser um desafio na Europa, apesar da queda em 2025, e apelam a ação urgente contra a hesitação vacinal. Os casos na região europeia da OMS (Organização Mundial da Saúde) diminuíram em 2025 face ao ano anterior, mas os especialistas alertam que o risco de surtos se mantém. Para evitar surtos e proteger as pessoas particularmente vulneráveis ao sarampo – como crianças demasiado pequenas para serem vacinadas e pessoas que não podem ser vacinadas por razões médicas – pelo menos 95% da população elegível deve receber duas doses da vacina.
O Centro Europeu de Prevenção e Controlo das Doenças assinala que oito em cada dez pessoas que adoeceram com sarampo em 2025 não tinham sido vacinadas, repetindo o padrão observado em 2024. “A vacinação individual protege outras pessoas que não podem ser vacinadas, pois reduz a propagação das infeções. Isso torna a vacinação não só um ato de autoproteção, mas também de solidariedade. Eliminar o sarampo deve ser possível se atuarmos em conjunto”, afirmou o diretor do ECDC, Pamela Rendi-Wagner, por meio de assessoria de imprensa.
A OMS alerta que o sarampo pode causar complicações de saúde duradouras e incapacitantes, incluindo danos no sistema imunitário ao “apagar” a memória de como combater infeções durante meses e até anos, deixando as pessoas que sobreviveram ao sarampo mais vulneráveis a outras doenças e à morte. O diretor regional da OMS para a Europa, Hans Kluge, apelou a que as pessoas recorram apenas a informação de saúde verificada e proveniente de fontes fidedignas, “num contexto atual de proliferação de notícias falsas”. “Eliminar o sarampo é essencial para a segurança sanitária nacional e regional”, acrescentou Kluge.
“Embora disponhamos de uma vacina muito eficaz e segura, bem como do conhecimento, dos recursos e de alguns dos instrumentos de vigilância mais robustos para controlar esta doença evitável, a desinformação e a hesitação vacinal continuam a ameaçar os progressos alcançados”, afirmou a diretora regional para a Europa e Ásia Central do Unicef (Fundo das Nações Unidas para a Infância), Regina De Dominicis. Sublinhou a necessidade de combater a hesitação em vacinar e a desinformação. Sem isso, as crianças continuarão em risco de morrer ou de adoecer gravemente de sarampo e de outras doenças evitáveis por vacinação.
Os Estados Unidos enfrentam o maior surto de sarampo dos últimos 35 anos. Até 6 de agosto de 2026, foram relatados 2.465 casos confirmados em 47 estados, com 38 novos surtos em 2026. Desses, 94% dos casos confirmados (2.309 de 2.465) estão associados a surtos. Em todo o ano de 2025, foram notificados 2.289 casos no país. Para efeito de comparação, em 2024, foram relatados apenas 16 surtos.
De acordo com a OMS, o sarampo é uma doença altamente contagiosa e grave, transmitida pelo ar, que pode levar a complicações graves e à morte. A vacinação evitou quase 59 milhões de mortes em decorrência da doença no período de 2000 a 2024. Em 2024, no entanto, estimou-se que ocorreram 95 mil mortes por sarampo em todo o mundo, a maioria entre crianças menores de 5 anos não vacinadas ou com vacinação incompleta.
A proporção de crianças que receberam a primeira dose da vacina contra o sarampo foi de 84% em 2025, ligeiramente abaixo do nível de 86% registrado em 2019. De acordo com estimativas da OMS e da UNICEF, aproximadamente 29 milhões de crianças permaneceram sem a devida proteção contra o sarampo em 2025. Recomenda-se a administração de duas doses da vacina para garantir a imunidade e prevenir surtos.
Os sintomas do sarampo geralmente começam de 7 a 14 dias após a exposição ao vírus e incluem febre, coriza, tosse, olhos vermelhos e lacrimejantes, e pequenas manchas brancas na parte interna das bochechas. A erupção cutânea aparece de 3 a 5 dias após os primeiros sintomas, geralmente no rosto e na parte superior do pescoço, espalhando-se pelo corpo em cerca de 3 dias.
A maioria das mortes por sarampo ocorre devido a complicações, que podem incluir cegueira, encefalite (infecção que causa inchaço no cérebro e potencialmente danos cerebrais), diarreia grave e desidratação, infecções de ouvido e problemas respiratórios graves, incluindo pneumonia. O sarampo também enfraquece o sistema imunológico e pode fazer com que o corpo “esqueça” como se proteger contra infecções, deixando as crianças extremamente vulneráveis.
O sarampo é uma das doenças mais contagiosas do mundo, transmitida pelo contato com secreções nasais ou da garganta infectadas ou pela inalação do ar exalado por uma pessoa infectada. O vírus permanece ativo e contagioso no ar ou em superfícies infectadas por até duas horas, e uma pessoa infectada pode gerar até 18 infecções secundárias. A transmissão ocorre desde quatro dias antes do aparecimento da erupção cutânea até quatro dias após o surgimento.
A OMS publicou o Quadro Estratégico para o Sarampo e a Rubéola em 2020, estabelecendo prioridades para alcançar e manter as metas regionais de eliminação. O Grupo Consultivo Estratégico de Especialistas em Imunização da OMS concluiu que a eliminação do sarampo está ameaçada, uma vez que a doença ressurgiu em vários países que haviam alcançado ou estavam perto de alcançar a eliminação.
A vacinação em massa da comunidade é a forma mais eficaz de prevenir o sarampo. A vacina é segura, eficaz e barata, custando menos de US$ 1 por criança. A OMS recomenda a administração de duas doses da vacina para garantir a imunidade: a primeira dose geralmente é administrada aos 9 meses de idade em países onde o sarampo é comum e entre 12 e 15 meses em outros países, e a segunda dose deve ser administrada mais tarde na infância, geralmente entre 15 e 18 meses.






