Com reajustes acima da inflação, lucro da Energisa MS em seis anos chega a R$ 3,4 bilhões

O JACARé/BY PRISCILLA PERES


Energisa detém concessão do MS desde 2014 (Foto: Arquivo)

Responsável pela distribuição de energia de 1,2 milhão de consumidores em 74 dos 79 municípios de Mato Grosso do Sul desde abril de 2014, a Energisa teve reajuste nas tarifas superiores a inflação em 7 dos 11 anos. Em 2026, o reajuste médio de 12,1% é três vezes acima da inflação acumulada do período.

Nestes anos de Energisa MS, em que a conta de luz dos consumidores passou a pesar muito mais no bolso, a empresa teve lucro bilionário. Levantamento do Dieese mostra que entre 2019 e 2025, a Energisa Mato Grosso do Sul acumula lucro de R$ 3,4 bilhões.

Em 2023, ano em que o reajuste na tarifa foi de 9,80%, a Energisa obteve lucro de R$ 609 milhões, o maior desde que assumiu a concessão no Estado. No ano passado, o faturamento da Energisa MS teve redução de 32% em decorrência das temperaturas amenas, ainda assim ficou em R$ 407 milhões, o menor desde 2020.

A questão é que as reclamações da população contra a concessionária são frequentes e os números evidenciam isso. Segundo resultado do desempenho das distribuidoras da Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica), a Energisa MS tem a 12ª pior avaliação entre 33 concessionárias de energia.

Para elaborar o ranking, a Aneel considerou a duração e a frequência das interrupções do fornecimento de energia em relação ao limite estabelecido. Em 2025, a Energisa MS caiu 7 posições no ranking de desempenho, saindo da 15ª para a 22ª posição.

Painel da Aneel também mostra que Jaraguari é o município mais atingido por quedas de energia não programadas, onde 58% das unidades consumidoras sofrem com os apagões.

Entre outubro de 2024 e abril de 2026, em média 1,8 mil unidades consumidoras foram atingidas por apagões, o que representa 0,16% do total de ucs sob concessão da Energisa, mas 96% das interrupções de energia não foram programadas.

Neste período, Dourados foi o município com mais dias de interrupção, sendo 542 dias com registro de queda de energia.