Colheita do milho chega a 63,9% em MS, mas ritmo está abaixo do ano passado

Com 1,41 milhão de hectares colhidos, safra avança em meio à mudança no uso das áreas e calor de até 40°C

JHEFFERSON GAMARRA / CAMPO GRANDE NEWS


Maquinário fazendo a colheita do milho e passando para caminhão em lavoura de MS (Foto: Divulgação/Aprosoja)

A colheita do milho segunda safra 2025/2026 alcançou 63,9% da área acompanhada pelo Projeto SIGA-MS até 14 de agosto. O percentual representa um avanço importante das operações no campo, mas está 2,9 pontos percentuais abaixo do registrado no mesmo período da safra anterior. Conforme a estimativa do projeto, aproximadamente 1,41 milhão de hectares já haviam sido colhidos no Estado.

O levantamento é realizado pela Aprosoja/MS, com acompanhamento de técnicos de campo que consultam produtores rurais, sindicatos e empresas de assistência técnica nos principais municípios produtores. O monitoramento considera o avanço da colheita, as condições das lavouras, as operações agrícolas, a área cultivada e as condições climáticas.

Entre as regiões monitoradas, o Norte apresenta o maior percentual de área colhida, com 76,4%. Na sequência aparecem a região Centro, com 64,9%, e a Sul, com 61,6%.

Apesar do ritmo inferior ao registrado na safra 2024/2025, a avaliação das lavouras mostra que a maior parte da área cultivada segue em boas condições. Segundo o levantamento, 69% das lavouras avaliadas estão classificadas como boas, enquanto 19,7% estão em condição regular e 11,3% são consideradas ruins.

O cenário, porém, apresenta diferenças importantes entre as regiões. Na região Centro, 57,9% das lavouras estão em boas condições, 18,2% em situação regular e 23,8% classificadas como ruins. Na Sul-Fronteira, os percentuais são de 62,3% para boas condições, 20% para regulares e 17,7% para ruins. Já na região Sul, 64,6% das áreas estão em boas condições, 30,5% regulares e 4,9% ruins.

A avaliação feita pelo SIGA-MS considera a área total cultivada de cada propriedade e classifica as lavouras como boas, regulares ou ruins a partir de critérios técnicos relacionados ao desenvolvimento das plantas, presença de pragas e doenças, estande de plantas e outros fatores que podem afetar a produtividade.

Área de milho diminui e produtores diversificam culturas - A safra atual também ocorre em meio a uma mudança na composição das áreas agrícolas de Mato Grosso do Sul. A estimativa do Projeto SIGA-MS aponta que foram cultivados 2,206 milhões de hectares de milho segunda safra, área equivalente a aproximadamente 46% daquela destinada à soja no Estado.

O percentual representa uma redução significativa em relação aos 75% registrados em anos anteriores. Segundo o boletim, a mudança está diretamente relacionada à janela de plantio estabelecida pelo Zoneamento Agrícola de Risco Climático (ZARC), que considera fatores como disponibilidade hídrica, risco de geadas e distribuição das chuvas durante o ciclo da cultura.

Com a necessidade de adequação às janelas consideradas mais favoráveis, áreas com maior exposição aos riscos climáticos passaram a ser destinadas também a outras culturas e atividades. Entre as alternativas citadas no levantamento estão sorgo, milheto e pastagens. O documento também registra que produtores de regiões que enfrentaram perdas severas por estresse hídrico em safras anteriores vêm testando culturas como sorgo verão, chia, carinata e melancia.

A estimativa inicial para a safra prevê produtividade média de 84,2 sacas por hectare e produção total de 11,139 milhões de toneladas. A atualização da produtividade média estadual está prevista para o início de setembro, quando a amostragem realizada pelos técnicos deverá alcançar 10% da área estimada.

Os resultados preliminares apontam produtividades entre 40 e 192 sacas por hectare. O levantamento avalia que as condições climáticas ao longo do ciclo favoreceram, de maneira geral, o desenvolvimento das lavouras e sustentam uma perspectiva positiva para a produção estadual.

Chuva irregular e mudança no tempo - O avanço da colheita ocorre em um período de condições climáticas contrastantes. O boletim aponta que, durante a semana analisada, as precipitações foram irregulares em diferentes regiões, mas predominantemente fracas, cenário que favoreceu a continuidade das operações de retirada do milho do campo.

Os dados climáticos também mostram que julho foi marcado por distribuição irregular das chuvas. Regiões do Norte, Nordeste, Pantanal e Sudoeste registraram volumes abaixo da média climatológica, com acumulados entre 0 e 20 milímetros em determinadas áreas. Já as regiões Central, Leste e Sudeste tiveram volumes maiores, entre 40 e 120 milímetros.

A previsão para os próximos dias mantém o contraste. Entre terça-feira (18) e quarta-feira (19), o Estado segue sob influência de um sistema de alta pressão, com tempo firme, temperaturas elevadas e baixos índices de umidade. Os termômetros podem chegar a 37°C a 40°C, principalmente nas regiões Pantaneira, Norte, Nordeste e Leste.

Na sequência, uma frente fria deve avançar sobre Mato Grosso do Sul. A previsão indica possibilidade de pancadas de chuva e tempestades isoladas, principalmente nas regiões Oeste, Sudoeste, Sul e Centro-Sul. Após a passagem do sistema, as temperaturas devem cair de forma acentuada, com mínimas entre 9°C e 11°C e possibilidade de registros abaixo de 7°C a 8°C em pontos específicos da região Sul.

O boletim ainda aponta previsão de um El Niño forte a muito forte no trimestre de agosto, setembro e outubro, com probabilidade próxima de 90%. A projeção indica temperaturas acima da média climatológica e maior frequência de ondas de calor, principalmente entre a primavera e o início do verão.

Com a colheita já próxima de dois terços da área monitorada, o milho segunda safra entra, portanto, na fase final de retirada das lavouras em algumas regiões, enquanto outras ainda avançam nas operações. Ao mesmo tempo, os produtores seguem diante de uma realidade de maior atenção ao risco climático, com redução relativa da área destinada ao milho e diversificação das culturas utilizadas nas propriedades.