MS já negociou 30% da soja da próxima safra e supera ritmo nacional

Volume comprometido chega a quase 5 milhões de toneladas e fica acima da média dos últimos ciclos

DUDA SCHINDLER / CAMPO GRANDE NEWS


Plantio da safra de soja 2026/27 deve começar a partir de 7 de setembro. (Foto: Divulgação)

Mato Grosso do Sul já negociou antecipadamente 30% da produção estimada de soja para a safra 2026/27, ligeiramente acima do ritmo nacional, que chegou a 29,1% até esta sexta-feira (4).

O ritmo de comercialização no Estado está acima do registrado no mesmo período da safra anterior, quando 21% da produção havia sido vendida, e também supera a média das últimas cinco safras, de 22,3%.

A estimativa divulgada pelo site Notícias Agrícolas, com dados compilados pela SAFRAS & Mercado, é de que Mato Grosso do Sul produza 16,6 milhões de toneladas de soja na safra 2026/27. Com 30% já negociados, aproximadamente 4,997 milhões de toneladas estão teoricamente comprometidas.

O movimento de antecipação das vendas também é observado em outros estados do Centro-Oeste e do Matopiba. Mato Grosso já comprometeu 41% da produção esperada, enquanto Tocantins registra 42%, Piauí, 36%, e Maranhão, 35%.

Na região Sul, o ritmo é mais lento. No Rio Grande do Sul, 15% da produção esperada havia sido comercializada até o levantamento, enquanto Santa Catarina registrava 16%. A cautela está relacionada, entre outros fatores, às incertezas climáticas que tradicionalmente influenciam a decisão dos produtores.

Plantio antecipado - Em Mato Grosso do Sul, a antecipação da comercialização ocorre em um cenário de maior flexibilidade para o início do plantio. No fim de junho, o Governo do Estado anunciou uma mudança no critério para o cumprimento do vazio sanitário, permitindo que os produtores iniciem a semeadura a partir de 7 de setembro, desde que a germinação ocorra somente após 15 de setembro.

A medida atende a uma demanda do setor produtivo e beneficia principalmente áreas irrigadas, que não dependem da chegada das primeiras chuvas para iniciar o plantio. Segundo o governo estadual, a mudança também busca aproveitar melhor a janela de cultivo e liberar as áreas mais cedo para a segunda safra.