Anvisa libera remédio experimental para tratar doença rara de Lito Sousa

Influencer será o 1º paciente a receber a substância contra doença de Creutzfeldt-Jakob

ÂNGELA KEMPFER / CAMPO GRANDE NEWS


Maria Albina Rosa e o esposo; casal vivia no Paraguai, mas hoje mora em Ponta Porã (Fotos: Arquivo Pessoal)

A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) autorizou nesta sexta-feira (4) a importação e o uso excepcional de um medicamento experimental para o influenciador e piloto Lito Sousa, diagnosticado com a doença de Creutzfeldt-Jakob, condição neurológica rara, de rápida evolução e ainda sem cura.

A substância, chamada ALN-6457, foi desenvolvida pela farmacêutica Regeneron Pharmaceuticals e ainda não passou por estudos clínicos formais em seres humanos para o tratamento da doença. Lito deverá ser o primeiro paciente a receber o medicamento.

O pedido para uso excepcional foi apresentado pelo Hospital Israelita Albert Einstein, responsável pelo tratamento do influenciador. Segundo a Anvisa, a autorização foi concedida para uso individual após Lito ser aceito em um programa de uso compassivo mantido pela farmacêutica no exterior.

O uso compassivo permite, em situações específicas, o acesso a medicamentos ainda experimentais por pacientes com doenças graves e sem alternativas terapêuticas satisfatórias.

Segundo a agência, a decisão considerou a gravidade da doença, que tem evolução rápida, irreversível e pode levar à morte, além da ausência de empresa ou representante responsável pelo produto no Brasil.

Com a autorização, a importação ficará sob responsabilidade da equipe médica que acompanha Lito. Até agora, não foram divulgados detalhes sobre a dose, duração ou protocolo que será adotado.

A doença de Creutzfeldt-Jakob é provocada por alterações em proteínas chamadas príons, que se acumulam no cérebro e provocam a destruição progressiva de neurônios. Atualmente, não existe tratamento capaz de interromper ou reverter a evolução da doença.

O Campo Grande News contou nesta semana a história de dois pacientes diagnosticados com a mesma doença, mostrando os impactos provocados pelo avanço rápido do quadro e a busca das famílias por respostas diante de uma enfermidade ainda sem tratamento específico. Maria Albina da Rosa, de 33 anos, deixou de reconhecer as pessoas, teve que sair do Paraguai para ter atendimentos básicos no SUS em Mato Grosso do Sul e sobrevive.

O diagnóstico de Lito Sousa foi divulgado em agosto, após semanas de investigação médica. Desde então, o influenciador e familiares passaram a buscar alternativas experimentais de tratamento.

Nesta sexta-feira, Lito publicou um vídeo nas redes sociais comentando a autorização. Ele afirmou que, após o diagnóstico, considerava não ter chance de escapar da doença e que agora vê no medicamento experimental uma possibilidade, ainda que pequena.

A autorização da Anvisa, contudo, não significa que a eficácia do tratamento esteja comprovada. Por se tratar de uma substância experimental e sem estudos clínicos concluídos para a doença de Creutzfeldt-Jakob, ainda não há evidências suficientes para saber se o medicamento poderá retardar ou modificar a evolução da enfermidade.