Cheia do Rio Dourados invade casas, obriga retirada de móveis e alaga estrada

Após fortes chuvas na região, Defesa Civil vistoriou imóveis e ponte; nível da água já começou a baixar

HELIO DE FREITAS, DE DOURADOS / CAMPO GRANDE NEWS


Equipe da Defesa Civil em estrada alagada no Assentamento Amparo, em Itahum (Foto: Divulgação)

A cheia do Rio Dourados provocou alagamentos em propriedades rurais, invadiu casas e obrigou moradores a retirar móveis para evitar prejuízos no Assentamento Amparo, no distrito de Itahum, no município de Dourados.

O nível do rio subiu rapidamente após as fortes chuvas desta semana, atingindo o ponto mais crítico na quarta-feira (14). Na tarde desta quinta-feira (15), equipes da Defesa Civil percorreram a região para avaliar os danos e orientar as famílias que vivem próximas às margens.

Além do Assentamento Amparo, os alagamentos atingiram áreas baixas próximas à divisa dos municípios de Dourados e Ponta Porã, especialmente no acesso ao distrito de Nova Itamarati. Ali fica a Barra São João, onde o rio de mesmo nome deságua no Rio Dourados.

Em alguns trechos, a água avançou sobre estradas rurais, dificultando a circulação de veículos e o deslocamento dos moradores.

Segundo o coordenador da Defesa Civil de Dourados, Jhones Santana, a elevação do rio ocorreu em um curto intervalo de tempo, como consequência do volume de chuva registrado na região.

“A intensidade das chuvas dos últimos dias fez o nível do Rio Dourados subir rapidamente e as áreas mais baixas, como na região do assentamento e na divisa com o município de Ponta Porã, no acesso ao Distrito de Nova Itamarati, ocorreram alagamentos', explicou.

As situações mais preocupantes foram encontradas em construções localizadas nas margens do rio, incluindo ranchos utilizados para pescaria e imóveis que servem de residência. Com o avanço da água, moradores precisaram retirar móveis e outros pertences das casas para evitar que fossem danificados.

“Algumas pessoas precisaram retirar os móveis das casas mais próximas ao rio, que registrou o nível mais crítico na quarta-feira', relatou Santana. Apesar dos transtornos, a vistoria não identificou situações que exigissem a interdição de residências ou a retirada obrigatória de famílias.

Durante a fiscalização, os agentes também orientaram os assentados sobre os riscos de permanecer em áreas inundadas e a necessidade de proteger animais de criação. A preocupação é que a água possa isolar partes das propriedades e dificultar o deslocamento dos rebanhos para locais seguros.

“Nossa orientação foi no sentido de preservar a integridade física dessas pessoas e, também, proteger eventuais rebanhos que possam ficar isolados em razão das enchentes', afirmou o coordenador. A Defesa Civil informou que não encontrou animais mortos em consequência dos alagamentos.

A cheia não é um fenômeno desconhecido dos moradores do Assentamento Amparo. Famílias que vivem na região já enfrentaram outras elevações do Rio Dourados durante períodos de chuva intensa. Desta vez, porém, a rapidez da subida da água exigiu providências imediatas para proteger os imóveis e os pertences.

A Defesa Civil também inspecionou a cabeceira da ponte que permite o acesso à região de Ponta Porã. Apesar do aumento expressivo do volume de água, a vistoria não identificou danos estruturais, desmoronamentos ou processos de erosão que comprometessem a estrutura.

O principal problema nesse trecho está na estrada rural, que permanece parcialmente coberta pela água. De acordo com Santana, o alagamento deverá desaparecer gradualmente conforme o rio voltar ao nível habitual. Não houve necessidade de isolamento de áreas nem de interdição de imóveis.

Na quinta-feira, as equipes já observaram sinais de recuo da água, depois do pico registrado no dia anterior. A expectativa da Defesa Civil é de que a situação se normalize até o fim de semana, desde que não ocorram novas chuvas intensas na região. “Nesta quinta-feira, o nível do rio começou a baixar e se não voltar a chover forte a situação estará normalizada neste final de semana', afirmou Jhones Santana.

O aumento do nível do Rio Dourados também foi confirmado pelo Imasul (Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul). A estação de monitoramento em Dourados registrou 3,24 metros às 7h de ontem, superando em 14 centímetros a cota de alerta, estabelecida em 3,10 metros. A cota de emergência é de 4 metros. Na terça-feira (13), a medição era de 2,55 metros e, na quarta-feira (14), chegou a 2,85 metros, ou seja, o rio subiu 69 centímetros em dois dias.

O volume de chuva ajuda a explicar a elevação. Segundo dados do Guia Clima da Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária), Dourados acumulou 244,4 milímetros de precipitação até esta quinta-feira, enquanto a média histórica para outubro inteiro é de 148,7 milímetros.

A previsão divulgada pelo Cemtec (Centro de Monitoramento do Tempo e do Clima) indica condições de tempo mais firme a partir desta sexta-feira (16) e durante o fim de semana, com queda nas temperaturas.